Empresas negativadas: por que já são mais de 9 milhões no Brasil

Empresas negativadas: por que já são mais de 9 milhões no Brasil

Quantas empresas negativadas existem no Brasil, e por que esse número bateu recorde? Em julho de 2026, a Serasa Experian contou 9,2 milhões de CNPJs inadimplentes, com R$ 238,6 bilhões em dívidas. É o maior número desde que ela começou a medir. E a diferença entre a empresa que quebra e a que continua de pé quase nunca está na venda. Está no recebimento.

Empresas negativadas: o que os números da Serasa mostram

Nove milhões é recorde, mas tem outro número nesse levantamento que explica melhor o problema. No mesmo levantamento de julho, cada empresa inadimplente tinha em média 7,3 contas em atraso, e a dívida média era de R$ 25.983,88 por CNPJ. Uma empresa com sete contas em atraso não tomou um golpe. Ela foi se afundando devagarzinho.

Ao mesmo tempo, o brasileiro continua abrindo empresa. O Sebrae, com dados da Receita Federal, contou 3,4 milhões de pequenos negócios abertos entre janeiro e julho de 2026, quase 14% a mais que no mesmo período de 2025. Hoje empreender virou necessidade, e o que acontece é que muita gente entra e muita gente não se sustenta.

Por que empresa que fatura bem também quebra

Por que essas empresas estão se afogando? Aqui eu preciso desmontar uma ideia que está na cabeça de muito empresário. A gente aprende que o problema da empresa é vender, e que vendendo mais tudo se resolve. Não é verdade. Eu conheço empresa faturando bem que quebrou, e eu conheço empresa faturando menos que está de pé, inteira.

Eu vou explicar do jeito mais concreto que eu consigo. Você vende, entrega e emite a nota. No papel, você faturou. Mas o dinheiro só existe quando entra no seu caixa. Se o cliente atrasa 30 dias, você acabou de financiar o negócio dele com o seu dinheiro. Se atrasa 90 dias, você virou banco. E se ele não paga, você trabalhou de graça e ainda pagou imposto sobre um dinheiro que nunca entrou.

Agora junta isso com os juros altos que a gente tem hoje. Quando o dinheiro está caro, o cliente atrasa mais. E quanto mais ele atrasa, mais você é empurrado para o empréstimo. Você pega empréstimo de capital de giro para cobrir um buraco que não é seu, paga juros por isso e entra numa esteira difícil de sair. Para mim, foi essa esteira que produziu os 9 milhões de CNPJs negativados. Não é só impressão minha. No comunicado com os dados de julho, a economista-chefe da Serasa Experian diz que o mercado continua contando com juros altos por um período prolongado, e que isso pesa no custo do financiamento e na capacidade das empresas de rolar as dívidas.

Isso se soma ao endividamento recorde das famílias. Pela pesquisa de endividamento da CNC, 82% das famílias brasileiras estavam endividadas em agosto de 2026, o sétimo mês seguido de recorde. As pessoas estão mudando hábito de consumo, as bets estão explodindo e tem gente sendo demitida por causa da economia e da inteligência artificial. Muita dessa gente monta uma empresa para sobreviver e acha que é só vender. Só que o negócio está extremamente desafiador.

Três perguntas para ver se a sua empresa está nessa esteira

Para você ver se está passando por esse momento, responde estas três perguntas. A primeira: quanto do seu faturamento do mês passado virou dinheiro na conta? Se você não sabe a resposta de cabeça, esse já é o primeiro problema.

A segunda: que porcentagem do seu faturamento depende dos seus três maiores clientes? Se for mais da metade, toma muito cuidado, porque se um deles atrasar, você vai sentir bastante. Lembra da esteira do empréstimo?

A terceira é a pergunta que ninguém quer fazer. Se o seu maior cliente sumisse hoje, quantos meses a sua empresa aguentaria? Se você pensou que nem tem um cliente desse tamanho para responder, isso também é um grande problema.

O comprador que não fecha a porta

Tem um caminho que muita gente ignora. Existe um comprador que não muda de dono e que está há muitos anos comprando todos os dias. Ele compra o ano inteiro, com processo, com empenho e com prazo definido. Sabe quem é? O setor público: a prefeitura, o estado, os órgãos federais, o hospital público, a universidade.

Eu não tenho dúvida de que os órgãos públicos são os maiores compradores do país. Eles compram por vários portais, e só o Compras.gov.br, o Portal de Compras do Governo Federal, movimentou mais de R$ 465 bilhões em 2025, comprando produto e contratando serviço. O número é do balanço que o Ministério da Gestão e da Inovação publicou em janeiro de 2026. A sua empresa está num momento complicado e precisa aumentar o faturamento? Você tem que entrar no mercado de vendas para o governo.

Não é mercado só para tubarão. MEI, microempresa e empresa de pequeno porte conseguem atuar nesse mercado. O que muda é a forma de vender, porque o governo compra de um jeito diferente do que você está acostumado.

Por que vender para o governo é diferente

No modelo tradicional, que eu chamo de modelo comum, você mantém estoque, contrata funcionário, gasta com marketing, e muitas vezes as contas não fecham. No governo, a realidade é outra. Basicamente, você precisa do CNPJ que já tem e de um computador com acesso à internet, porque todo o processo de compra é online.

Você não precisa ter o produto quando vende, porque o órgão dá um prazo para a entrega. Também não precisa de espaço físico nem de muito funcionário: o processo inteiro acontece na internet, e você mesmo faz as vendas pelo seu computador. E não gasta com marketing, porque é o próprio órgão que publica nos editais o que quer comprar.

Você se cadastra no Portal de Compras do Governo Federal e nos outros portais, e depois acha uma oportunidade que faça sentido para o seu negócio e para o momento da sua empresa. Não tem barreira geográfica: se você vende cadeira e mesa, pode vender no Brasil inteiro. O grande ponto é a precificação, colocar todas as variáveis e fazer a conta fechar.

Como eu vendo para o Brasil inteiro

Eu estou nesse mercado há mais de 20 anos, vivendo só de licitação e vendendo só para órgão público. Eu vendo no Brasil inteiro, do Paraná ao Maranhão, onde eu sei que vou ganhar dinheiro. O meu escritório fica em Brasília, e é de lá que eu participo das minhas licitações. De Brasília, eu já atendi São Gabriel da Cachoeira. Se você nunca ouviu falar, procura no mapa onde fica.

Eu já faturei com as minhas empresas mais de R$ 80 milhões sem sair do escritório. Muitos dos produtos que eu vendo, eu não vejo nem a cor, porque já entrego direto no órgão. Isso me dá escala, porque o órgão público compra em grande volume. Pensa no Exército e imagina a quantidade de camiseta branca tamanho P que ele compra todos os anos. Agora soma o tamanho M, a bermuda e a meia. E isso é só o uniforme. Ainda tem a alimentação e a manutenção de veículos, com pneu e combustível. E o processo é transparente: você acompanha tudo, desde quando a oportunidade é publicada até a execução do contrato.

A minha opinião

Num país com mais de 9 milhões de CNPJs negativados, atuar nesse mercado é o grande diferencial que você pode ter. De um lado, você tem juros altos, famílias endividadas e cada vez menos gente comprando. Tem também cada vez mais concorrente chegando, porque todo mundo precisa vender de alguma forma. Do outro, o setor público continua comprando. A merenda não pode faltar, o hospital não pode ficar sem material e a escola não pode ficar sem papel.

Para mim, é muito claro: se a sua empresa não está no mercado de vendas para o governo, você está deixando muita oportunidade na mesa. Isso vale para qualquer porte e qualquer momento da sua empresa. É um canal de vendas que você pluga no negócio que já tem, e o primeiro passo está em por onde começar a vender para o governo, aqui no blog.

E me conta aqui embaixo qual das três perguntas foi a mais difícil de responder sobre a sua empresa. Eu quero saber se você está passando por isso, porque quase ninguém fala sobre esse assunto.

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